terça-feira, 19 de março de 2013

Sistema Genital Masculino

 Na terceira semana do desenvolvimento, ainda em um estágio indiferenciado de sexo, as células mesenquimais da região da linha primitiva migram em torno da membrana cloacal formando um par de pregas da cloaca. Cranialmente à membrana, as pregas unem-se e formam o tubérculo genital, caudalmente elas se subdividem nas pregas uretrais anteriormente e nas pregas anais, posteriormente. Simultaneamente elevações genitais ficam de cada lado das pregas uretrais, formando as elevações escrotais dos homens. As elevações escrotais têm origem na região inguinal, e vão se movendo caudalmente até formarem o escroto. Cada elevação forma metade do escroto e são separadas pelo septo escrotal.

Na quinta semana o embrião de ambos sexos tem dois pares de ductos genitais: ductos mesonéfricos (Wolff) e paramesonéfricos (Muller). O ducto paramesonéfrico desemboca na cavidade abdominal em sentido cefálico, e no sentido caudal ele cruza o ducto mesonéfrico e na linha média faz contato com o ducto paramesonéfrico oposto, formando o canal uterino. Eles fazem uma projeção na parede posterior do seio urogenital chamada de tubérculo paramesonéfrico ou de Muller. Os ductos mesonéfricos desembocam no seiourogenital, de cada lado do tubérculo de Muller.
Na sexta semana, as células germinativas aparecem nas cristas genitais (gonadais). As células germinativas primordiais aparecem entre as células endodérmicas na parede do saco germinativo, próximo ao alantoide. Migram pelo mesentério dorsal do intestino posterior e chegam as gônadas primitivas (cristas). Da crista genital há a proliferação de células epiteliais formando cordões sexuais primitivos que ficam ligados ao epitélio superficial (estágio de gônada indiferenciada). Na influencia do cromossomo Y, que codifica o fator determinante do testículo, os cordões sexuais primitivos se proliferam e penetram na medula da gônada primitiva formando os cordões testiculares ou medulares. Perto do hilo da gônada, os cordões se decompõem e dão origem aos túbulos da rede do testículo. Uma camada de tecido conjuntivo fibroso (túnica albugínea) separa os cordões testiculares (estes são constituídos de células germinativas primordiais e células de sustentação de sertoli derivadas do epitélio superficial da gônada). Os cordões adquirem uma luz e formam os túbulos seminíferos na puberdade. Os túbulos unem-se aos túbulos da rede testicular que desembocam nos ductos eferentes (partes remanescentes dos túbulos excretores do sistema mesonéfrico). O ducto deferente se forma a partir do ducto mesonéfrico ou de Wolff.


Na oitava semana de gestação, as células de Leydig começam a produzir testosterona. Essas células são derivadas do mesenquima original da crista gonadal e se formam logo após a formação dos cordões, se estabelecendo entre os próprios cordões.



  Na décima semana, a genitália externa do homem se forma, através da influência dos hormônios secretados pelos testículos fetais, em que o tubérculo genital se alonga e passa a ser chamado de falo. O falo puxa as pregas uretrais de modo que elas formam as paredes laterais do sulco uretral, que se estende caudalmente no falo mas não chega em sua extremidade distal (glande). A placa uretral é formada pelo epitélio do sulco, com origem endodérmica.
  No fim do 2o mês o mesentério urogenital fixa o testículo e o mesonefro à parede abdominal posterior, o mesonefro degenera e a fixação persiste como um mesentério para o testículo em que sua parte caudal forma o ligamento genital caudal. Encontra-se o gubernáculo, uma condensação mesenquimal que também se estende do polo caudal do testículo e termina na região inguinal.  No homem quando o mesonefro regride, alguns túbulos excretores chamados de epigenitais fazem contato com os cordões da rede do testículo e formam os ductos eferentes. Os túbulos excretores do polo caudal do testículo chamados de paragenitais regridem e seus vestígios são denominados de paradídimo. Exceto na porção cefálica (do apêndice do epidídimo) os ductos mesonéfricos persistem; abaixo da entrada dos ductos eferentes eles formam o ducto do epidídimo. Da cauda do epidídimo até o brotamento da vesícula seminal os ductos mesonéfricos formam o ducto deferente e após o brotamento da vesícula, ele forma o ducto ejaculatório. Os ductos paramesonéfricos degeneram, com exceção de uma porção cefálica (apêndice testicular). 

Na 12a semana, o testículo chega à região inguinal, e surge aí uma parte extra-abdominal do gubernáculo que vai da região inguinal em direção às elevações escrotais.
 Ao fim do 3o mês, as duas pregas uretrais se fecham sobre a placa uretral formando a uretra peniana.

No quarto mês, a parte distal da uretra é formada, em que células ectodérmicas da glande do pênis penetram internamente formando um cordão epitelial, posteriormente esse cordão adquire uma luz e se forma o óstio externo da uretra.
 Na 28a semana, o testículo migra pelo canal inguinal, e a parte extra-abdominal do gubernáculo faz contato com o assoalho escrotal. O crescimento dessa parte do gubernáculo produz a migração do testículo, e o próprio crescimento do órgão aumenta a pressão intra-abdominal e força sua passagem pelo canal inguinal.

Na 33a semana, quando há a regressão da parte extra-abdominal do gubernáculo, o movimento do testículo se completa até que se chegue ao escroto.
Independente da descida do testículo, o peritônio evagina de cada lado da linha média para a parede anterior do abdome. Essa evaginação é chamada de processo vaginal e acompanha o trajeto do gubernáculo, juntamente com as camadas muscular e fascial da parede abdominal, até as elevações escrotais formando o canal inguinal.

O testículo é coberto por uma prega refletida do processo vaginal, a camada visceral da túnica vaginal e o restante do saco peritoneal forma a camada parietal da túnica vaginal. O canal que liga a luz do processo vaginal à cavidade peritoneal é obliterado ao nascimento. Além desses revestimentos, há o revestimento formado por estruturas da parede abdominal que evaginaram junto. A fáscia transversal forma a fáscia espermática interna, o músculo oblíquo interno forma a fáscia e o músculo cremastérico e o músculo oblíquo externo forma a fáscia espermática externa.




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